Mariah Carey reafirma sua imagem de diva
pop ao lançar mão da teoria da relatividade de Albert
Einstein como título de seu décimo álbum,
"E=MC²". Mas não se trata de erudição
intelectual para afirmar que energia é igual à "massa
vezes velocidade da luz ao quadrado", afinal a cantora lida com a
simplicidade da linguagem pop em seu trabalho.
Após um período de grande sucesso nos anos 90, Mariah
atravessou uma fase menor em sua carreira, encerrada apenas com seu
trabalho anterior: o campeão de vendas "The Emancipation of
Mimi" (2005). O disco foi a primeira etapa na
reconstrução de sua persona, desde então
dissociada cada vez mais da imagem intocável de cinderela
pop aprisionada em uma torre inacessível erigida pelo
ex-marido Tommy Mottola, poderoso magnata da indústria
fonográfica.
"E=MC²" dá prosseguimento à
reconstrução pop iniciada no álbum anterior.
Alude ao período conturbado de sua vida, durante o casamento
com Mottola, com referências à conseqüente
separação --catalisador da reformulação
de sua imagem pública. O disco também reafirma a
potência de sua poderosa garganta, amparada pelo perfil
genérico do r&b, ao incorporar de forma velada
referências sonoras de soul, rap, pop e outras vertentes da
música norte-americana-- com destaque para
canções como "Migrate", "Side Effects", "Love Story"
e a sugestiva "Touch My Body".
Com estes e outros temas, a cantora reduz as variáveis
matemáticas de sua problemática
reconstrução pop a uma questão de
física. Pois, se a fórmula da equação
concretizada pela teoria de Einstein supõe que algo
só é impossível até alguém
provar o contrário, Mariah mostra à
concorrência que foi capaz de se reinventar de forma
inteligente, sem se deixar levar pelas saídas fáceis
dos ditames da parada de sucessos ou perder sua essência no
decorrer dessa transição. (MARCUS
MARÇAL)
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