Home Data de criação : 08/05/28 Última atualização : 11/10/19 05:08 / 4 Artigos publicados

ROLLING STONES Shine a Light  escrito em quarta 28 maio 2008 21:43

A parceria entre uma das bandas mais conhecidas do planeta com um diretor de cinema igualmente respeitado só poderia dar certo. O resultado foi o documentário "Shine a Light", dirigido por Martin Scorsese ("Os Infiltrados", "Gangues de Nova York", "Taxi Driver"), que mostra um show da última turnê dos Stones ("A Bigger Bang Tour"), em duas noites no Beacon Theatre, em Nova York, realizado nos dias 29 de outubro e 1º de novembro de 2006.

Este CD duplo com a trilha sonora do filme é obrigatório para qualquer fã da banda. No repertório, com 34 canções, estão sucessos e algumas surpresas. Músicas com uma nova roupagem, ou que a banda não costuma tocar sempre nos shows, são um presente para os fãs. "Faraway Eyes" e "You Got the Silver", com Keith Richards nos vocais, são exemplos disso. Os clássicos também estão presentes: "Jumpin' Jack Flash", "Sympathy for the Devil", "Start me Up" e "(I Can't Get No) Satisfaction" completam o setlist.

O disco tem participações especiais de Martin Scorsese, na faixa que abre o segundo CD; do cantor e guitarrista Jack White 3º, da dupla White Stripes, na música "Loving Cup"; do bluesman Buddy Guy em "Champagne & Reefer", e, para terminar, da cantora pop Christina Aguilera em "Live with Me".

Em "Shine a Light", Mick Jagger (vocal), Keith Richards (guitarra e vocal), Ron Wood (guitarra) e Charlie Watts (bateria) mostram, mais uma vez, que os Stones ainda têm muita energia para fazer um excelente show de rock n' roll. (DANIELLE NORONHA)

GRAVADORA : UNIVERSAL                                                                              PREÇO MÉDIO : R$ 34

                                                      OUÇA : NA MEGA MIX WEB RÁDIO

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MARIAH CAREY E=MC²  escrito em quarta 28 maio 2008 21:36

Mariah Carey reafirma sua imagem de diva pop ao lançar mão da teoria da relatividade de Albert Einstein como título de seu décimo álbum, "E=MC²". Mas não se trata de erudição intelectual para afirmar que energia é igual à "massa vezes velocidade da luz ao quadrado", afinal a cantora lida com a simplicidade da linguagem pop em seu trabalho.

Após um período de grande sucesso nos anos 90, Mariah atravessou uma fase menor em sua carreira, encerrada apenas com seu trabalho anterior: o campeão de vendas "The Emancipation of Mimi" (2005). O disco foi a primeira etapa na reconstrução de sua persona, desde então dissociada cada vez mais da imagem intocável de cinderela pop aprisionada em uma torre inacessível erigida pelo ex-marido Tommy Mottola, poderoso magnata da indústria fonográfica.

"E=MC²" dá prosseguimento à reconstrução pop iniciada no álbum anterior. Alude ao período conturbado de sua vida, durante o casamento com Mottola, com referências à conseqüente separação --catalisador da reformulação de sua imagem pública. O disco também reafirma a potência de sua poderosa garganta, amparada pelo perfil genérico do r&b, ao incorporar de forma velada referências sonoras de soul, rap, pop e outras vertentes da música norte-americana-- com destaque para canções como "Migrate", "Side Effects", "Love Story" e a sugestiva "Touch My Body".

Com estes e outros temas, a cantora reduz as variáveis matemáticas de sua problemática reconstrução pop a uma questão de física. Pois, se a fórmula da equação concretizada pela teoria de Einstein supõe que algo só é impossível até alguém provar o contrário, Mariah mostra à concorrência que foi capaz de se reinventar de forma inteligente, sem se deixar levar pelas saídas fáceis dos ditames da parada de sucessos ou perder sua essência no decorrer dessa transição. (MARCUS MARÇAL)

GRAVADORA : UNIVERSAL                                                                           PREÇO MÉDIO : R$ 33

                                                     OUÇA : NA MEGA MIX WEB RÁDIO

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SIMONE E ZÉLIA DUNCAN Amigo É Casa  escrito em quarta 28 maio 2008 21:19

O CD (e também DVD) "Simone & Zélia Duncan - Amigo É Casa", da Biscoito Fino, é o evidente "crossover" das amigas, cantoras de voz grave e personalidade forte. Numa performance gravada ao vivo no auditório Ibirapuera, em São Paulo, em outubro de 2007, elas dividem um repertório variado e mostram algumas das suas canções tradicionais -mas não óbvias.

A parceria teve seus primórdios em 2005. No ano seguinte, Zélia participou de duas faixas do CD e DVD "Simone Ao Vivo". Depois, veio o show no projeto Tom Acústico, que acabaria derivando para o encontro aqui registrado.

O show (são 18 canções no CD, e 23 no DVD) começa com a dupla dividindo o palco em uma emocionante "Alguém Cantando" (Caetano Veloso). Depois vem "Petúnia Resedá", de Gonzaguinha, autor que Simone ajudou a consagrar nos anos 1970. Em seguida, tem "Grávida" (Marina e Arnaldo Antunes), numa versão sem muita novidades. É "Kitnet" (Alzira E e Arruda), samba com sabor de vanguarda paulista. Guilherme Arantes aparece com "Cuide-se Bem".

Depois, Zélia ocupa o palco sozinha. "Na Próxima Encarnação" mostra a devoção dela a Itamar Assumpção, morto em 2003. A carioca também brilha numa interpretação comovente de "A Companheira", de Luiz Tatit.

Com a baiana de volta ao palco, elas fazem "Mãos Atadas" (Simone Saback, do álbum de Zélia de 2005), "Meu Ego" (Roberto e Erasmo Carlos) e "Idade do Céu" (Jorge Drexler e Moska).

Simone ataca de novo seu repertório antigo com Gonzaguinha ("Diga Lá Meu Coração" e citação de "Espere Por Mim, Morena"). Faz também "Medo de Amar nº 2" (Sueli Costa e Tite Lemos) e "Encontros e Despedidas" (Milton Nascimento e Fernando Brant").

Para encerrar, elas se unem em mais Roberto e Erasmo ("Vou Ficar Nu pra Chamar Sua Atenção"), em mais Caetano ("Gatas Extraordinárias"), num delicioso samba de Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro ("Ralador"), num blues de Ângela Ro Ro ("Agito e Uso") e, para o grande final, no sambão "Tô Voltando" (Maurício Tapajós e PC Pinheiros).

A dupla é acompanhada por Walter Villaça (violão, violade 10 e guitarra semi-acústica), Webster Santos (violões, guitarra, cavaco e bandolim), Léo Brandão (piano, teclado e acordeão), Ézio Filho (baixos e agogô), Jadna Zimmermann (percussão, bateria e flauta) e Carlos César (bateria, pandeiro, moringa e zabumba).

Enfim, um show com Zélia na boa forma de sempre, e com Simone mais parecida com a cantora legal dos anos 1970 -que cantava Chico, Caetano, Milton, Ivan Lins e Fátima Guedes- do que com a da fase melosa pós-anos 1980. (ROGER MODKOVSKI)

GRAVADORA : BISCOITO FINO                                                                            PREÇO MÉDIO: R$ 33

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GAL COSTA Live at the Blue Note  escrito em quarta 28 maio 2008 20:33

O CD "Gal Costa Live at the Blue Note" é o registro de um show da cantora baiana durante sua temporada no lendário clube de jazz nova-iorquino, em 2006. O repertório, "para americano ver", é de bossa nova (quase só Tom Jobim) e algum samba-canção antigo.

Muito à vontade e conversando bastante com o público em inglês, Gal está excelente, numa das raras oportunidades em que pode ser ouvida ao vivo num pequeno espaço. A tantas, diz à platéia que se sente cantando "na sala de casa".

E a banda que a acompanha cabe direitinho no espaço intimista do jazz-club: os experientes Adriano Giffoni (baixo), Jurim Moreira (bateria), Zé Canuto (sax alto e flauta) e Marcus Teixeira (violão e direção musical) têm campo aberto para mostrar muito do que sabem de jazz e de bossa.

A baiana, que já foi chamada por Caetano Veloso de "a cantora ideal da bossa nova", faz três delas logo de cara: "Fotografia" (Tom Jobim), "Desafinado" (Jobim e Mendonça) e "Chega de Saudade" (Jobim e Vinicius de Moraes). Se a interpretação não é tão precisa como a de João Gilberto, criador da batida da bossa, ela rivaliza em emoção com as versões do conterrâneo.

A diva traz duas de Ary Barroso ("Pra Machucar Meu Coração" e "Aquarela do Brasil", no arranjo mais extrovertido do álbum). Canta uma emocionada "Ave Maria no Morro" (Herivelto Martins) e um "Nada Além" (Mario Lago e Custodio Mesquita) bastante puxado para o jazz, só com o baixo marcante de Giffoni e os estralos dos dedos da platéia.

Gal volta à bossa com mais Tom: "Corcovado", "Triste" (numa versão agitada), "Wave", "Samba do Avião", "Garota de Ipanema" e "A Felicidade" (Tom e Vinicius). Aparecem também "Coisa Mais Linda" (Carlos Lyra e Vinicius), "Sábado em Copacabana" (Dorival Caymmi e Carlos Guinle) e "Copacabana" (João de Barro e Alberto Ribeiro) aparecem em medley.

O álbum tem ainda "I Fall in Love Too Easily" (Sammy Cahn e J. Styne) e um excelente "As Time Goes By" (Hupfeld), ambas do repertório do jazzista Chet Baker.

Na capa do álbum, a reprodução de um texto (no original em inglês) do crítico Ben Ratliff no "New York Times" ajuda a iluminar a audição. Ele elogia o fato de Gal ter adequado sua performance para as dimensões de um jazz-club e também a coragem de ter "usado ingredientes simples". (ROGER MODKOVSKI)
GRAVADORA : EMI                                                                                     PREÇO MÉDIO : R$ 24
 
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